Reitores defendem liberdade acadêmica e sistema de educação superior diversificado



Encontro em Hamburgo reuniu 50 líderes de universidades de pesquisa do mundo todo

Texto: MANUEL ALVES FILHO
Fotos: ANTONIO SCARPINETTI
Edição de imagem: LUIS PAULO SILVA

A organização dos sistemas de educação superior no mundo e a liberdade acadêmica foram os temas centrais das discussões da segunda edição do Conselho Transnacional de Líderes Universitários, ocorrido em Hamburgo, na Alemanha, de 7 a 9 de junho. Participaram do evento 50 reitores de universidades de pesquisa distribuídas pelo mundo. “Foi uma experiência muito interessante porque tivemos a oportunidade de deixar de olhar para dentro de nossas instituições, para pensar na importância da educação superior em contexto global”, analisa o reitor da Unicamp, professor Marcelo Knobel, que esteve presente ao encontro.

Foto: Antonio Scarpinetti

O reitor Marcelo Knobel: “Foi uma experiência muito interessante porque tivemos a oportunidade de deixar de olhar para dentro de nossas instituições, para pensar na importância da educação superior em contexto global”

 

Em relação ao primeiro tópico, um dos pontos ressaltados pelos dirigentes universitários foi a necessidade de promover a diversificação das escolas de ensino superior, de modo a atender às demandas da sociedade. “Nas discussões que tivemos, ficou clara a importância das universidades de pesquisas, que são fundamentais para o desenvolvimento do conhecimento. São essas instituições que educam líderes e formam cientistas, que vão servir à academia, à indústria e à sociedade em geral”, explica Knobel.

Segundo o dirigente da Unicamp, os reitores também defenderam a necessidade da existência de outros modelos de universidade, que atendam a um número maior de pessoas e formem técnicos qualificados. “A ideia é que tenhamos um sistema de educação diverso, no qual todos têm o seu papel e no qual haja mobilidade entre os diferentes atores. O principal objetivo é que esse sistema, que é obviamente complexo, trabalhe conjuntamente em busca do bem comum”, afirma o reitor.

O outro tema do encontro foi a liberdade acadêmica, premissa indispensável ao desenvolvimento da ciência. O princípio, observa Knobel, está sob ameaça em vários países do mundo, notadamente naqueles submetidos a ditaduras. “A liberdade acadêmica pressupõe a possibilidade de os pesquisadores atuarem com total autonomia em suas linhas de pesquisa, sem interferências externas. Em vários locais, esta liberdade está em risco. Felizmente, esse não é o caso do Brasil”, considera o reitor da Unicamp.

Ele lembra, no entanto, que o país e vizinhos da América do Sul viveram momentos de exceção no passado, no qual a liberdade acadêmica foi diretamente afetada. “Por isso é importante nos mantermos vigilantes, para que não tenhamos que passar por esse tipo de experiência novamente”, pondera. Um assunto que surgiu subjacente aos temas centrais do encontro foi a questão das políticas de ação afirmativa, algo que está em análise na Universidade. “O tema apareceu no contexto das reflexões sobre liberdade acadêmica. Um ponto que mereceu atenção foi a liberdade de expressão, que precisa ser defendida, mas que não pode causar desrespeito ao ser humano e às legislações”.

Ao final do encontro, os líderes universitários assinaram um documento, denominado Declaração de Hamburgo, no qual registraram as principais reflexões formuladas durante o evento. A declaração será encaminhada a dirigentes de países e de organizações multilaterais, como forma de contribuir para a formulação de políticas públicas na área da educação superior. O encontro de reitores foi organizado pela Conferência de Reitores Alemães, Körber-Stiftung e Universidade de Hamburgo.

Jornal da Unicamp



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