Edusp lança nova edição de dicionário de Libras



Com autoria de pesquisadores da USP, publicação incorporou sinais regionais do Nordeste, do Sul e do Distrito Federal

Por Ivanir Ferreira

Resultado de pesquisas feitas pelo Laboratório de Neuropsicolinguística Cognitiva Experimental (Lance) do IP desde 1994 e de desdobramentos de outras publicações, o novo dicionário documentou mais de 13.400 sinais, com ênfase nas áreas de medicina, geografia e tecnologia da informação. A elaboração foi feita a partir de informações coletadas de surdos sinalizadores nativos (os surdos que utilizam a língua de sinais como único e exclusivo meio de comunicação).Acaba de ser lançada pela Editora da USP (Edusp) a nova edição do Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: a Libras em suas mãos – 3 volumes, de autoria de Fernando C. Capovilla, Walkiria D. Raphael, Janice G. Temoteo e Antonielle C. Martins, pesquisadores do Instituto de Psicologia (IP) da USP. A publicação foi editada em três volumes e incorporou milhares de sinais de todas as regiões brasileiras, principalmente do Nordeste, do Sul e do Distrito Federal.

Na publicação, os sinais de Libras tiveram entradas lexicais individuais, trazendo os verbetes correspondentes ao sinal em português e inglês, a definição do significado do sinal e dos verbetes, ilustrações e a descrição detalhada da forma do sinal, além de exemplos ilustrativos do uso apropriado do verbete. A publicação ainda traz a soletração digital em Libras por meio da fonte Capovilla-Raphael, permitindo que uma criança surda possa analisar a composição das palavras escritas e convertê-las para letras em formas de mão. Há também o registro de sinais diferentes utilizados em Estados diferentes e um mesmo sinal que pode ser usado em diversos Estados brasileiros.

Veja ilustração abaixo:

Capovilla, coordenador e orientador do programa de pesquisa lexicográfica em Libras, afirma que dicionário é de enorme importância para o dia a dia de estudantes e profissionais. “Os surdos têm se tornado cada vez mais afluentes, influentes, especializados e cultos”, celebra.

“Vibramos com a possibilidade contribuir para a inclusão real e efetiva destes concidadãos.”

A publicação também poderá ser utilizada pelo público infantil como ferramenta e aprendizado formal do idioma. “Será um instrumento importante para ouvintes que aprendem Libras para poder conversar, interagir, compreender e se fazerem compreendidos por seus alunos e colegas surdos”, explica. Desde 2005, a Libras passou a ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia.

Fernando Capovilla: língua é dinâmica e viva – Foto: Regina Elias/CCE_SP via Flickr 

 

 

Surdos no Brasil

Segundo o Censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem cerca de 10 milhões de pessoas surdas ou com perda auditiva severa. Embora a primeira escola de surdos tenha surgido na época do Império, em 1857, foi somente em 2002 que a Libras foi reconhecida como língua oficial da população surda brasileira.

O Dicionário da Língua de Sinais do Brasil: a Libras em suas mãos – 3 volumes pode ser encontrado nas lojas físicas da Edusp ou no site da própria editora e em outras livrarias.

Mais informações: e-mails fernando.capovilla@usp.br, vduarte@usp.br, janicetemoteo@gmail.com, e an.cantarellim@gmail.com

Jornal da USP



Conteúdo relacionado