Instituições de EaD preveem ‘novo mercado’ com no ensino médio



Professor da Unesp é entrevistado por O Estado de S. Paulo

Texto: Tulio Kruse, Especial para O Estado
Foto: Filipe Araújo/Estadão

Criada na reforma do ensino médio, a permissão para convênios entre redes estaduais e instituições de Educação a Distância (EaD) tem gerado expectativa para a abertura de um novo mercado. Em maio, pouco depois da aprovação da reforma, o governo federal revogou um decreto que restringia o EaD apenas a conteúdos complementares e situações excepcionais no nível médio. Agora, os convênios poderão servir para cumprir “exigências curriculares” a distância, segundo o texto da reforma.

O governo repassou aos Estados a responsabilidade de definir regras mais específicas para o EaD, inclusive a proporção de conteúdo das aulas que poderá ser ofertada remotamente. Para cursos presenciais de graduação no ensino superior, por exemplo, a regulação do Ministério da Educação (MEC) permite que 20% da carga horária seja oferecida à distância. Entre especialistas, a aposta é que o EaD pode oferecer tanto o conteúdo obrigatório quanto as aulas de itinerários de especialização em Linguagens, Matemática, Ciências Humanas, Ciências da Natureza e o ensino técnico.

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Escolas com estrutura física devem menor recorrer ao EaD para suprir a falta de itinerários formativos, segundo especialistas Foto: Filipe Araújo/Estadão

Qualidade
A possibilidade de uma entrada ‘em massa’ do EaD no ensino médio, sem critérios qualitativos, preocupa o especialista em política educacional João Cardoso Palma Filho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ex-secretário adjunto de Educação no governo paulista, de 2011 a 2013, Palma é crítico às regras “genéricas” da reforma, mas reconhece que a modalidade veio para ficar.

“O que não pode é abrir a porteira, entrar todo mundo como se fosse boiada”, diz o professor. “É preciso melhorar as exigências para credenciar as instituições: é uma instituição que tem aparato tecnológico suficiente para ofertar as aulas? Tem um corpo docente com qualidade nos cursos presenciais, que possam ser aproveitados no EaD?”

Entre os especialistas, a previsão de que alguns itinerários formativos no ensino médio serão oferecidos à distância na rede pública é consenso. Para Palma, o aumento do EaD na grade curricular será inevitável. “Se for levar em conta o (ensino) presencial aqui em São Paulo e na rede estadual, a maior parte das escolas têm condição de oferecer uma ou duas áreas, então (o EaD) é uma via que pode ampliar a oferta”, avalia o professor.

Unesp | Estadão



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