Caneta pode ajudar no diagnóstico precoce do mal de parkinson



Parceria entre Unesp e universidade da Alemanha desenvolve ferramenta inovadora

Por Tisa Moraes

Um programa de computador conectado a uma caneta dotada de sensores poderá, futuramente, auxiliar no diagnóstico precoce da doença de parkinson. A partir do uso de recursos de inteligência artificial, a descoberta foi feita por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, em parceria com uma universidade da Alemanha e a Unesp de Botucatu.

Atualmente, o diagnóstico é feito com base na análise visual de traçados que o paciente faz sobre um gabarito fornecido pelo médico. Segundo os pesquisadores, a caneta tem a capacidade de identificar microtremores indicativos de parkinson que podem não ser detectados a olho nu, permitindo, assim, o início antecipado do tratamento da doença.

“Os índices de acerto chegam à casa dos 90%, o que é um desempenho muito bom”, observa o coordenador da equipe de Bauru, professor João Paulo Papa, do Departamento de Computação da Faculdade de Ciências. Os resultados iniciais são considerados promissores para que a caneta possa se tornar, no futuro, uma ferramenta efetivamente utilizada pela medicina.

Papa explica que as discussões iniciais que levaram ao desenvolvimento do sistema surgiram há cerca de três anos na Faculdade de Medicina de Botucatu, que destacou pacientes para participar dos testes. Depois, a universidade alemã Ostbayerische Technische Hochschule Regensburg concebeu a caneta e, então, coube aos pesquisadores de Bauru elaborar o software que pudesse interpretar os dados coletados pelo objeto.

“Estes dados são descarregados no computador e os algoritmos de inteligência artificial processam estas informações, oferecendo o diagnóstico com considerável índice de precisão”, pontua.

Sensores

Segundo o professor, o exame é feito de maneira idêntica à tradicional e a caneta tem a aparência de um modelo comum. Mas, sem que o paciente perceba, ela capta informações a partir de seis sensores de pressão e inclinação.

“No método convencional, ele vai preencher o formulário, fazendo movimentos com a mão esquerda e a mão direita. Dependendo da destreza, o médico irá analisar o grau de severidade da doença, que pode acabar não sendo identificada, se estiver muito no início. Com a caneta, esta realidade pode ser modificada”, relata.

Ele explica que, durante os testes, que integraram a tese de doutorado de seu aluno Clayton Reginaldo Pereira, muitos pacientes diagnosticados com parkinson somente pela caneta, posteriormente, acabaram recebendo a confirmação médica a partir do agravamento gradativo da doença. “Mas há um número, ainda que proporcionalmente pequeno, de pessoas que souberam um tempo depois que tinham parkinson e não foram identificadas pela caneta. Isto é algo que poderemos aprimorar em pesquisas futuras”, adianta.

Refluxo e plataforma

Outro projeto coordenado por João Paulo Papa busca auxiliar os médicos na detecção do esôfago de Barrett, nome dado a uma alteração na mucosa do esôfago próxima ao estômago e que decorre da persistência do refluxo gastroesofágico, podendo levar ao câncer. O estudo, iniciado em 2017 com previsão de ser concluído em até quatro anos, também integra uma tese de doutorado de um aluno orientado pelo professor e é desenvolvido em parceria com outros pesquisadores alemães.

“Hoje, o médico realiza uma endoscopia e tenta identificar visualmente, pelas imagens captadas, regiões com cor e textura alteradas. Nossa intenção não é substituir o profissional, mas apenas auxiliá-lo”, observa.

Ele explica que o objetivo é criar um programa de computador que possa detectar, automaticamente, estes padrões alterados nas imagens. “Uma ideia é que setas apontem estas regiões em que o médico deverá ter mais atenção, facilitando o seu trabalho”, adianta.

Um terceiro projeto, também fruto de uma tese de doutorado em fase inicial, elaborado em parceria com a Unesp de Rio Claro, está voltado à segurança do trabalho de funcionários que trabalham em plataformas da Petrobras. Como estes locais possuem câmeras de circuito interno, a ideia é monitorar, com o uso da tecnologia, situações de perigo a que os trabalhadores podem, eventualmente, se expor. “Com a inteligência artificial, é possível fazer a análise destes vídeos e, por meio do rosto e até da forma de andar, investigar a recorrência com que um mesmo funcionário se coloca em situação de risco, quando não usa os equipamentos de proteção individual ou percorre algum trecho que possa não ser seguro para ele”, diz.

UNESP Agência de Notícias | JCNET



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