Projeto da USP ensina ciências com material de baixo custo



Alunos de graduação e pós-graduação desenvolvem atividades com arte e ciência em comunidades mais afastadas

Por Larissa Lopes

Se com cinco ou seis retas era fácil para Toquinho fazer um castelo, para Ricardo Lacerda, funcionário da USP, com um ou dois pedaços de madeira e sucata eletrônica, é possível reproduzir o movimento dos astros no céu.

Lacerda é especialista em laboratório no grupo de pesquisa Interfaces e ajuda os alunos de graduação e pós-graduação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP a montar maquetes e experimentos científicos usados em atividades do projeto de extensão Banca da Ciência.

Alunos se reúnem para discutir ensino de ciências – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“A Banca é a parte ‘pública’ do Interfaces, porque ela trabalha com a difusão científica em comunidades pouco atingidas por essa divulgação de um modo geral, como escolas públicas e periferias”, explica Luis Paulo de Carvalho Piassi, professor responsável pelo projeto na EACH.

Inspirada em uma iniciativa de bibliotecas móveis que iam até comunidades afastadas a fim de incentivar a leitura entre os moradores, a Banca da Ciência é um quiosque itinerante que vai até estações de trem para chamar a atenção das pessoas para a ciência.

A ideia surgiu em meados de 2010 por Piassi e mais três amigos, também professores universitários, que levaram o projeto para suas respectivas universidades. Hoje, a Banca está presente também na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Guarulhos e Diadema, e no Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Boituva. Além disso, abrange as ações do projeto Joaninha, que desenvolve atividades de difusão científica com crianças de até seis anos, atendendo à primeira infância, e o projeto Alice, para alunos do ensino fundamental II.

Além de ciência, o projeto também discute diversidade e desigualdade de gênero. Mulheres são maioria entre os participantes da Banca da Ciência – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

 

 

Valores

“O que queremos é que o aluno consiga enxergar a ciência que está no dia a dia dele”, diz Lacerda, funcionário do laboratório do grupo Interfaces. “Por isso usamos materiais muito simples para construir as apresentações da banca. Isto aqui”, diz apontando para um protótipo com base de madeira, “é feito com peças de aparelho DVD, mas podem ser encontradas em lojas por um bom preço também”. Lacerda aperta um botão e, então, a haste que sustenta uma Lua imaginária começa a dar voltas em torno de uma pequena Terra, que pode ser feita de isopor.

Experiências são feitas com materiais próximos do cotidiano de qualquer pessoa – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Um dos preceitos da Banca da Ciência é mostrar que a ciência está em todo lugar e que todos podem fazê-la e compreendê-la. Por isso, os monitores das atividades utilizam materiais de baixo custo para preparar os experimentos e usam outras mídias para discutir ciência, como música, brincadeiras e literatura de ficção científica, sempre contextualizando com o cotidiano do público.

Além de divulgar a ciência, a Banca também chama a atenção para a atuação de mulheres na área, por meio das atividades desenvolvidas pelos projetos Joaninha e Alice. O Alice atua com jovens de 11 a 14 anos e possui seis frentes de abordagens diversas que homenageiam algumas cientistas e artistas. O grupo Lyra, por exemplo, trabalha com o ensino da robótica e faz referência a Jaqueline Lyra, engenheira mecânica carioca que trabalha na Nasa há mais de duas décadas.

Jovens atendidos pelo projeto descobrem a ciência na prática – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Outros grupos são o Lúcia (escritora Lúcia Machado de Almeida), sobre literatura; Dian (Dian Fossey, zoóloga norte-americana), sobre a relação com a natureza e os animais; Emma (Emma Watson, atriz britânica e embaixadora da ONU Mulheres), para estudos sobre mulheres e minorias; Rita (Rita Lee, cantora brasileira), com o uso de música; e Maria (Maria de las Nieves, comediante mexicana) discute a ciência através dos jogos.

Matéria completa: Jornal da USP



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