Degradação do habitat interfere na interação entre as espécies



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Pesquisa é realizada na Unesp de Rio Claro

De que forma a predação de sementes influencia a interação entre as espécies de uma determinada região? Essa foi a pergunta respondida por Calebe Mendes em sua tese de mestrado defendida em maio deste ano no Departamento de Ecologia do Instituto de Biociências da Unesp, Câmpus Rio Claro. O estudo, intitulado “Patch size, shape and edge distance influences seed predation in a keystone palm in tropical rainforests”, avaliou quais variáveis ambientais afetam a predação da palmeira Jerivá (Syagrus romanzoffiana).

“Testamos variáveis em várias escalas e também avaliamos o efeito delas sobre os três principais grupos de predadores de sementes da espécie: os esquilos, os invertebrados e os roedores terrestres”, explica Mendes. Os esquilos foram separados dos roedores terrestres porque comem sementes diretamente do cacho, enquanto os terrestres se alimentam dos frutos que caem no chão. A pesquisa foi realizada em vários municípios paulistas, principalmente na região de Rio Claro.

O objetivo era tentar descobrir o que causa a menor ou a maior predação de sementes por cada grupo de predadores. “Nós observamos que as principais variáveis ambientais que afetam a predação de sementes da palmeira Jerivá são o tamanho e a forma do fragmento florestal e a distância de cada palmeira para a borda mais próxima do fragmento”, informa Mendes. Segundo ele, essas variáveis estão relacionadas com os grupos de predadores de sementes. Por exemplo, os esquilos são influenciados pelo tamanho e pela forma do fragmento e isso reflete na quantidade de sementes que eles predam. Já os invertebrados, principais predadores de sementes da palmeira, são mais influenciados pela distância da borda e pela predação dos esquilos.

“Os esquilos comem as larvas dos invertebrados que se desenvolvem dentro das sementes. Assim, quanto mais esquilos, menos invertebrados”, explica Calebe. Por fim, a predação por roedores terrestres pode ser melhor explicada pela quantidade de floresta num raio de 500 metros da palmeira. “Quanto menos floresta, maior a predação por roedores terrestres”, afirma.

A pesquisa de Calebe Mendes mostra que diferentes espécies em um mesmo sistema podem responder de forma diferente as características do ambiente e afetam umas as outras. Além disso, o estudo demonstra que embora a predação de sementes dessa espécie sejam naturalmente alta, os predadores que agem em áreas mais degradadas não são, necessariamente, os mesmos que atuam em áreas conservadas.

Como exemplo Mendes cita que invertebrados apenas destroem sementes e são mais comuns em áreas degradadas. Os esquilos destroem sementes, mas também fazem dispersão e não habitam áreas degradadas como pequenos fragmentos florestais cercados de pasto e cana. A dispersão de sementes pelos animais é necessária para a reposição e sobrevivência da espécie. Isso porque quando as sementes caem ficam sob a copa da planta mãe e não conseguem se desenvolver o que compromete o equilíbrio ecológico.

“O mestrado nos mostrou que a interação entre as espécies é afetada pela degradação do habitat e que isso segue certos padrões. Cada espécie de predador tem um padrão próprio que resulta em um padrão geral para a palmeira”, observa Mendes. No entanto, o estudo também gerou novas perguntas: Qual o destino da palmeira? Como a interação das espécies é afetada espacialmente? Essas relações são as mesmas ao longo de todo o fragmento florestal? Essas perguntas ele pretende responder no doutorado.

A pesquisa foi orientada pelos Profs. Drs. Mauro Galetti Rodrigues e Milton Cezar Ribeiro, do Departamento de Ecologia, e financiado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Edneia Silva
(Portal Unesp)


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